quarta-feira, 18 de março de 2009

Manoel de Barros

Eu não caminho para o fim, eu caminho para as origens.


Aquele homem falava com as árvores e com as águas
ao jeito que namorasse.
Todos os dias
ele arrumava as tardes para os lírios dormirem.
Usava um velho regador para molhar todas as
manhãs os rios e as árvores da beira.
Dizia que era abençoado pelas rãs e pelos
pássaros.
A gente acreditava por alto.
Assistira certa vez um caracol vegetar-se
na pedra.
mas não levou susto.
Porque estudara antes sobre os fósseis lingüísticos
e nesses estudos encontrou muitas vezes caracóis
vegetados em pedras.
Era muito encontrável isso naquele tempo.
Ate pedra criava rabo!
A natureza era inocente.



Deixei uma ave me amanhecer...


Escrever em Absurdez faz causa para poesia
Eu falo e escrevo Absurdez.
Me sinto emancipado.


Manoel Wenceslau Leite de Barros nasceu em Cuiabá (MT) no Beco da Marinha, beira do Rio Cuiabá, em 19 de dezembro de 1916.

3 comentários:

Olavo disse...

Lindo poema
beijos

Marta Vasil disse...

Poema fantástico, Mari. Haverá alguém que não gostasse de falar e escrever assim em Absurdez? Talvez seja esta a "língua" dos grandes poetas.

Beijinho

MV

MARCOS disse...

genial!