domingo, 25 de janeiro de 2009

Jorge de Lima

A Multiplicação da Criatura

parece, senhor , que me desdobrei .
que me multipliquei,
que a chuva dos céus cai dentro de minhas mãos ,
que os ruídos do mundo gemem nos meus ouvidos,
que batem trigo , chorando , sobre o meu tronco nu,
que cidades se incendeiam dentro de minhas órbitas .
parece , senhor que as noites escurecem dentro do meu ser multiplo ,
que eu falo sem querer por todos meus irmãos ,
que eu ando cada vez mais a procura de ti .
parece, senhor, que tu me alongaste os braços
à procura de abóbadas raras e iluminadas ,
que me estiraste os pés repousantes no limbo,
que os pássaros cansados em meu ombro repousam
sem saber que o espantalho é a semelhança tua .
parece que em minhas veias
correm rios noturnos
em que barqueiros remam contra marés montantes.
parece que em minha sombra
o sol desponta e se deita ,
e minha sombra e meu ser
valem um minuto em ti.

4 comentários:

Glaucia Elaine disse...

É realmente uma beleza esse poema de Murilo Mendes.
Um abraço!

Sonia Schmorantz disse...

Para refletir:
Aprendi que não posso exigir o amor de ninguém...
Posso apenas dar boas razões para que gostem de mim...
E ter paciência para que a vida faça o resto...
Não importa quão boa seja uma pessoa, ela vai feri-lo
de vez em quando e você precisa perdoá-la por isso.
(William Shakespeare)

Faça dessa nova semana um novo início rumo à
felicidade.
abraços

Sonia Schmorantz disse...

Para refletir:
Aprendi que não posso exigir o amor de ninguém...
Posso apenas dar boas razões para que gostem de mim...
E ter paciência para que a vida faça o resto...
Não importa quão boa seja uma pessoa, ela vai feri-lo
de vez em quando e você precisa perdoá-la por isso.
(William Shakespeare)

Faça dessa nova semana um novo início rumo à
felicidade.
abraços

Aline disse...

O poema é do Jorge de Lima Glaucia Elanie não do Murilo Mendes.